"Soluções comuns". Seguro defende mais integração na Europa em áreas como habitação e energia
"É nosso dever fazer uma nova Europa, uma Europa mais forte para as novas gerações", sustentou o presidente da República na Eslovénia.
O presidente da República, António José Seguro, defendeu esta sexta-feira, na Eslovénia, "uma melhor cooperação e mais integração política" na Europa, em domínios como a habitação, energia e segurança e defesa. Elege a habitação como um dos grandes problemas da Europa.
"Eu tenho uma única regra: problemas comuns necessitam de soluções comuns. Os cidadãos europeus necessitam de uma Europa melhor e de mais Europa", disse Seguro, numa declaração, em inglês, à chegada à 21ª reunião do Grupo de Arraiolos, que decorre em Brdo, nos arredores de Ljubljana.
Defendeu a necessidade de "uma melhor cooperação e mais integração política, em particular nos domínios da habitação, energia, segurança e defesa, transição tecnológica e para lidar com a crise social".
A habitação tem sido tema para António José Seguro e, na véspera, tinha defendido a necessidade de uma resposta transversal, desta vez a nível nacional. “A habitação é um problema que necessita de uma resposta” e “entendimentos interpartidários”. “Todos os responsáveis políticos” têm a obrigação de apresentar soluções, indicou António José Seguro.
Europa "arrisca-se a perder confiança"
Já na sua intervenção perante a sessão plenária, o presidente da República deixou um aviso: "Uma Europa em que tantos jovens não conseguem aceder a uma casa" arrisca-se a "perder a confiança das novas gerações".
"Uma Europa que exige aos seus cidadãos confiança, sacrifício e paciência tem de demonstrar que sabe transformar esses esforços em resultados", continuou o chefe de Estado.
"Não podemos pedir aos europeus que escolham a unidade sem lhes mostrar o que essa unidade permite alcançar", afirmou Seguro, para acrescentar então que "uma Europa em que tantos jovens não conseguem aceder a uma casa, constituir família ou acreditar que o seu trabalho lhes permitirá viver melhor arrisca-se a perder a confiança das novas gerações"."Há momentos na história em que as nações têm de decidir se querem ser conduzidas pelos acontecimentos ou se estão dispostas a fazer a história. Creio que a Europa chegou a um desses momentos".
"A guerra voltou ao nosso continente. A paz, que durante décadas muitos europeus tomaram como garantida, voltou a exigir determinação, recursos e coragem. A competição entre potências tornou-se mais dura. A nossa capacidade económica e tecnológica está sob pressão. E, dentro das nossas sociedades, cresce a inquietação de cidadãos que trabalham, cumprem as suas obrigações e, ainda assim, sentem que o futuro se tornou mais difícil de alcançar", fez notar António José Seguro.
"Perante esta realidade, a Europa tem de fazer uma escolha", na perspetiva do presidente português: discutir as suas divergências e adiar decisões difíceis ou admitir que a segurança, a prosperidade e a liberdade dependem da capacidade de atuar com determinação.
"Uma Europa que não consegue financiar as prioridades que proclama, que perde capacidade industrial e tecnológica e que depende de terceiros para garantir bens essenciais à sua segurança" arrisca-se igualmente, segundo Seguro, a "perder a liberdade de decidir o seu próprio destino"."Precisamos de uma Europa que faça escolhas. Que invista na sua defesa. Que recupere capacidade de produzir e inovar. Que mobilize os recursos necessários para competir. Que trate a habitação, o emprego e as oportunidades dos jovens como questões centrais da confiança democrática".
"Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo. Mas temos de decidir o que é essencial e deixar de adiar aquilo que sabemos ser indispensável", propugnou ainda o presidente português, para lembrar que se aproxima um ciclo eleitoral em vários Estados-membros "que poderá definir a orientação da Europa durante muitos anos".
"Os cidadãos decidirão livremente. A nossa responsabilidade é garantir que encontram uma Europa capaz de responder às suas inquietações, sem lhes prometer soluções fáceis nem esconder a dimensão dos desafios", rematou.
Estreia no Grupo de Arraiolos
António José Seguro participa na sua primeira reunião do Grupo de Arraiolos, na qual estarão presentes outros 11 chefes de Estado da União Europeia. Trata-se de um fórum informal que junta presidentes sem poderes executivos na União Europeia e foi criado por Jorge Sampaio.
De acordo com a Presidência da Eslovénia, que acolhe pela primeira vez uma reunião do Grupo de Arraiolos, o encontro deste ano "realiza-se num momento em que a UE se depara com profundas crises geopolíticas, de segurança, económicas e sociais".
"O debate centrar-se-á na forma como a UE pode adaptar-se às novas circunstâncias sem perder os valores e princípios sobre os quais foi construída: democracia, direitos humanos, Estado de direito, solidariedade, cooperação e resolução pacífica de conflitos", lê-se numa nota divulgada pela anfitriã do encontro, a Presidente eslovena Natasa Musar.
c/ Lusa